sexta-feira, 25 de março de 2011

Bruno Morais

pois é, vê se pode... na preguiça de organizar a tonelada de imagens de HQs, me deparei com esse video na net. O disco é muito bom, produzido por Guilherme Kastrup e o próprio Bruno Morais. E essa banda, muito boa, cada músico contribuindo sem ansiedade para o resultado excelente. Recomendo tentar baixar por aí o disco e tentar assistir um show. Vai valer a pena, acredite.

terça-feira, 1 de março de 2011

Sangue Ruim

Esse livro me conquistou de modo surpreendente. Não me interesso, em geral, por histórias de psicopatas, serial killers ou similares. Sangue Ruim, no entanto, me trouxe uma nova luz sobre essa realidade.

Na verdade, estava apenas em busca de um quadrinho novo, sem referência anterior. Me deparei com a resenha de Sangue Ruim fazendo comparações entre os traços de Joe Coleman e Robert Crumb. Pensei: "porque não?". E é sempre um dia incrível quando um quadrinho te surpreende, não?

Joe Coleman é um escritor e desenhista norte americano de traço intenso e texto instigante. Nesse trabalho, traz 4 contos ilustrados baseados em fato reais sobre casos bizarros sangrentos e, apesar do tempo em que se passaram, atuais.

Cada um dos contos conta a história de uma pessoa totalmente deslocada das regras de nossa sociedade, entregues como vitimas e protagonistas do mal do mundo. E tudo baseado em fatos, relatados pelos próprios e/ou colhidos posteriormente (mesmo que não fique muito claro por quem...).

É interessante, além da arte, a descrição clara de como os sistemas de "reabilitação" da sociedade norte americana são ótimos para melhorar um "psicopata". Como esse sistema alimenta o ódio ou qualquer coisa que mova uma vida criminosa. Interessante também pois mostra que nosso sistema de "recuperação" não mudou quase nada no último século. E, para qualquer um suficientemente atento, o sistema de crime e castigo no Brasil, é exatamente como o narrado no livro. O conto "Carl Panzram, Nº31614", por exemplo, mostra evidentemente como um ser humano pode se tornar terrível, querer ser terrível e só aprender que o ódio é a única regra sendo trancado para aprender.

Não vou, neste post, falar de cada conto. Porém, o conto citado acima mexeu comigo, então merece ao menos uma frase. No início, um misto de dó e raiva. No meio, só raiva. No fim, raiva, dó, medo, confusão, sentimentos que os desenhos só estimulam e ampliam.

Com um texto fluido, contínuo e direto, o Joe Coleman recria a biografia dos quatro, desenhando momentos dramáticos. E com um traço preocupado com detalhes e tremendamente expressivo, causa interesse e, quem sabe, um bocado de angustia.

Para terminar, impressões mais leves... os desenhos já valem o livro, tremendamente fortes.



Sangue Ruim foi lançado pela Conrad em 2005. Ainda bem que existe a Conrad e umas outras poucas editoras (Panini, por exemplo - sou fã do selo Vertigo, assunto para um próximo post), para nos trazerem boas obras a preços relativamente acessíveis.